Thursday, January 08, 2009

Minha mãe, Natalina Pereira (28-VI-1953 - 29-XII-2008)

É logo um santo e saudável pensamento orar pelos mortos,
para que sejam livres dos seus pecados. (2 Mac 12,46)



Aos vinte e nove de dezembro de dois mil e oito, às 18h25, minha mãe, Natalina Pereira, aos 55 anos, rendeu sua alma ao Senhor. A causa do falecimento, após cinco dias em estado grave no CTI, foi uma infecção generalizada decorrente de um abscesso subfrênico. O nome da causa mortis pode parecer ininteligível, mas a morte em si é a um só tempo clara, simples e absurda. Não importa a causa: tudo é pretexto para a ação da morte.

Convivi com minha mãe por 26 anos, o que me parece um tempo brevíssimo agora. Gostaria de viver eternamente com ela, porém nesta vida, por culpa de um, a morte foi convidada a se divertir, estranha diversão, neste mundo, mas graças também a um ela foi vencida, o que me dá uma esperança ancorada na fé. Mas digo que tive o privilégio de não só conviver com ela como de ter sido a pessoa mais próxima e principal alvo de todo o seu amor. Sim, privilégio, porque minha mãe era uma pessoa excepcional. Não digo que ela era excepcional tão-somente porque sou filho e o momento é frágil: é o pensamento unânime de todos que a conheceram. Pude testemunhar isso especialmente durante as últimas semans de vida de minha mãe, desde a sua primeira internação, oito de dezembro, dia da Imaculada Conceição, depois durante sua última semana comigo em casa, e finalmente quando do seu enterro, aos trinta de dezembro. E mesmo dias depois, como hoje à tarde, quando uma senhora de quase 90 anos me telefonou, emocionada, elogiando sinceramente minha mãe, e sem mencionar os testemunhos de afeição que todos lhe dirigiam ao longo de sua vida, tudo me fez perceber como ela era de fato querida e recebeu em troca tudo o que buscou dar: carinho. É verdade que faleceu, mas foi realmente amada por todos, e amou a todos com seu jeito humilde. E se por um lado é extremamente doloroso perder alguém tão amado e amável, e ainda mais por ser minha própria mãe, por outro lado me causou espanto e admiração perceber como ela cativou o respeito de tantos, tão-somente sendo humildade, mansa e sempre praticando o amor ao próximo, sempre espontaneamente. Aqui também não digo simplesmente uma opinião parcial e influenciada pelo momento: mais uma vez, é opinião unânime, a ponto de eu já ter ouvido alguém dizer que minha mãe fora exemplo para todos, o que muito me envaidece como filho. Por muitos que sejam os meus defeitos -- e ela não tem culpa deles --, tenho plena consciência de que minhas qualidadas foram em grande parte, senão no todo, herdadas de minha mãe.

Durante o velório, enquanto eu dizia algumas palavras que brotavam na hora, sempre eu lembrava de uma passagem bíblica: “aquele que se humilhar será exaltado”. Efetivamente, por amor minha mãe se humilhou, e por amor ela foi exaltada.

Certamente ela não era santa e tinha toda a consciência disso. Não obstante, seus defeitos mais patentes, como a teimosia, eram suaves e totalmente compensados pelo seu despreendimento. Disso sou testemunha viva. Poderia dar muitos exemplos, mas direi só alguns: certa vez, depois de quase doze horas de trabalho, ela ainda teve ânimo de distribuir comida aos pobres e sem fazer nenhum alarde, caminhando desde a Lapa e Cinelândia até em casa, em frente ao jornal O Globo, quase às 22h30. Impressionante, porque mesmo tendo pouco, distribuía muito. Nunca deixava de visitar os enfermos e gostava de ajudar os idosos. Recusava quase sempre qualquer tipo de ajuda, a ponto de parecer obstinada, embora na realidade era o seu temor de incomodar os outros, de qualquer maneira, que mais lhe tocava. Por outro lado, estava mais preocupada com os outros do que consigo mesma, sem medir esforços para ajudá-los. Especialmente comigo era toda carinhos: se saía de casa comigo dormindo, fazia questão de me dar um beijinho ou de deixar bilhetinhos, que aliás era outra característica sua: nunca enviava nada pronto de antemão, porque preferia escrever tudo, e sempre quando tinha vontade. Ela era incrivelmente espontânea, e destestava fazer qualquer coisa só por fazer. Isso se refletiu até na sua relação com a Igreja. Ela só gostava de ir quando tinha vontade, e várias vezes me repetia isso. Embora não tivesse nenhuma educação religiosa, por algum motivo misterioso gostava demais da Igreja, em especial de Jesus, Maria, de São Judas Tadeu e dos papas. Quando ia ou voltava do trabalho, ela beijava a imagem de Maria e o cruficixo no corredor, e sussurrava alguma reza. De manhã, gostava de ir à janela para orar também, mas eu quase não ouvia o que ela dizia. Quando eu lhe falava alguma coisa a respeito da vida de Jesus, ela chegava a se emocionar, o que sempre achei curioso. Ela também era uma excelente dona de casa, daquelas que fazem o possível para manter a ordem, e várias vezes cheguei considerá-la meio tantã, porque não raramente ela preferia perder horas de sono a manter a casa bagunçada.

Há muitos outros casos que por economia de espaço não direi, mas mencionarei só mais um. Certo dia na enfermaria, quando algumas pessoas a visitavam, entre elas eu, minha mãe começou a se sentir mal, porém não queria demonstrar que não estava bem. Ela então se controlou, esperou todos nós saírmos e logo chamou os enfermeiros, sem que soubéssemos de nada. Ela não queria que ficássemos preocupados. Toda a tristeza que nos acometeu depois, principalmente devido a seu falecimento, nada disso foi por vontade sua.

Era impressionante observar como a vontade dela se ajustava às suas resoluções práticas. Não me lembro de ela fazer uma coisa boa porque se forçou. Pelo contrário: era sempre uma coisa espontânea e sempre colocava em prática. Na realidade, ela gostava de fazer tudo imediatamente, o que não significa que era impulsiva: ela só achava bobagem inventar obstáculos demais para coisas simples. Ela também tinha uma força de vontade incrível. Quanto a este ponto, foi para mim particularmente doloroso -- e certamente para ela -- perceber o quão debilitada estava. Ela nunca foi uma pessoa de se entregar a doenças, detestava depender dos outros, ainda que tivesse consciência bem clara de suas limitações. Seu corpo não lhe dava tréguas, porque ela já começava a senti-lo cansado em decorrência da idade. Mas o fato de ela não se entregar a doenças não significa que tivesse uma saúde de aço. Ela não tinha e sabia disso. Porém nas suas duas últimas semanas de vida, devido ao mal que culminou em sua morte, ela sequer conseguia ficar de pé sozinha, comia com dificuldade e, depois que tornou a ser internada, até a respiração lhe parecia uma tarefa acima de suas capacidades. Nem mesmo a sua força de vontade enorme e sua grande vontade de viver foram suficientes para resistir, porque não nos foi dado resistir à morte com nossas próprias forças: toda a sua energia simplesmente foi embora. Para ela ter chegado ao estado debilitado que chegou, é porque a doença era extremamente grave, e realmente o era.

O último dia que passei com minha mãe em casa foi aos vinte e um de dezembro. No dia seguinte, ela foi internada, sendo que aos vinte e quatro, véspera de Natal, devido a uma grave piora em seu estado de saúde, ela deu entrada no CTI, de onde não saiu mais com vida. Lembro-me perfeitamente bem de cada instante, que mais parecia uma sucessão de acontecimentos sombrios. Foi uma véspera de Natal duríssima para todos nós, e os dias seguintes foram ainda mais desoladores. Havia um lampejo de esperança aqui e acolá, mas o quadro geral piorava constantemente, de tal modo que passei praticamente uma semana achando que a qualquer momento me ligariam avisando que minha mãe havia falecido. É um verdadeiro inferno perceber a morte envolvendo como serpente alguém que amamos, sem que possamos fazer absolutamente nada. Minhas noites foram péssimas. Eu tinha a sensação de que verdadeiramente havia um peso me esmagando, e minha cabeça sempre latejava, como se realmente alguém estivesse esmagando-a. Ainda assim, pude manter a calma, pelo menos na frente de todos, embora eu não tenha resistido quando ela foi internada no CTI. Lembro-me perfeitamente bem de vê-la entrando numa maca no CTI, por volta das 18h do dia vinte e quatro, respirando com ajuda de um nebulizador, dizendo com voz bem fraca um Feliz Natal e acenando devagar, com sua mão debaixo do lençol. Esbocei um Fe..., porém imediatamente me deu vontade de chorar e tive de me segurar a fim de não chorar na frente dela. Tão logo ela entrou, não resisti. Digo, aliás, e sem nenhuma pretensão de bancar uma pessoa sem emoções, que nunca tive o costume de chorar, mas aquela situação e outras foram demais para mim. Foi como se eu tivesse guardado tudo para as últimas semanas de vida de minha mãe.

O último dia que falei com ela foi aos vinte e sete, porque no dia seguinte ela foi posta em coma induzido, tanto porque havia sofrido uma cirurgia como para seu corpo absorver com mais proveito antibióticos. Mas nada adiantou.

O maior medo de minha mãe era sofrer muito. Sua vontade acabou sendo realizada: faleceu em estado de coma. Tivesse sobrevivido àquela segunda-feira, vinte e nove, teria ficado para o resto da vida dependente de hemodiálise. Para alguém como a minha mãe isso teria sido uma catástrofe especialmente pavorosa. Ela, que detestava não trabalhar e tinha verdadeiro horror a hospitais, nunca mais trabalharia, viveria boa parte do tempo num hospital e teria um regime de vida quase draconiano. Mas outra vontade de minha mãe foi cumprida também. Com efeito, ela sempre me dizia, ao longo dos anos, que desejava morrer a ver uma de suas irmãs mortas. Deus lhe deu então o privilégio, se é que posso chamar assim, de ter sido a primeira a falecer entre suas irmãs. Todavia, isso não foi a única coisa notável. Um mês antes, trinta anos após ter deixado a casa de sua infância e boa parte da adolescência, inexplicavelmente ela quis visitá-la, num dia em que todas as suas irmãs haviam se reunido lá, coisa rara, aliás, porque nem é comum todas as minhas tias arrumarem tempo para se verem, nem é comum que todas se encontrem justamente naquela casa, onde atualmente mora uma das minhas tias. Ademais, minha mãe não gostava nada de empreender viagens longas em dias de folga. Mas calhou de todas elas se reunirem num domingo, e a chegada de minha mãe causou surpresa a todas: acabou sendo a última vez em que elas se reuniram em vida. Todavia, creio firmemente que elas todas se reunirão ainda mais uma vez, quando deixarem essa vida mortal ou morte vital, no dia em que todas contemplarão o Senhor em Seu trono. Creio no que diz o Prefácio dos defuntos: “A vida, Senhor, para os vossos fiéis não é destruída: transforma-se.”

Houve outra circunstância estranha. Quando fui ao hospital no dia em que ela faleceu -- e digo que eu nem iria ao hospital naquele dia, mas senti uma necessidade imperiosa de visitá-la --, eu estava prestes a visitá-la quando de repente perdi totalmente ânimo. Permaneci inexplicavelmente parado por algum tempo na sala de espera. No momento em que recobrei coragem e fui falar com a médica, a notícia: minha mão havia falecido dez minutos antes de eu falar com a médica, certamente naquele instante em que empaquei sem motivo nenhum.

Na última ocasião em que ainda pude vê-la com vida, aos vinte e sete de dezembro, minha mãe havia sido posta em coma induzido. Saí do hospital com o coração perturbado, controlando-me com dificuldade, e considerando que só um milagre a salvaria. Mal tendo chegado em casa, absolutamente desconsolado, eu só pedia a Deus que a salvasse, tal como fez com Lázaro, mas sentia minhas esperanças destroçadas. Foi duro demais ter visto minha mãe daquele jeito. Ora eu pedia a Deus para que a salvasse, ora eu Lhe pedia para que um padre fosse rezar pela alma de minha mãe quando finalmente ela tivesse expirado... Estranhamente, não cheguei a buscar padre nenhum. Eu só pedia a Deus, confusamente, que salvasse a minha mãe e ao mesmo tempo que enviasse um padre para rezar pela sua alma. Acabei buscando em meu missal orações de enfermos, de extrema-unção e até dos mortos, como se minha mãe já fosse morta, e li em casa, como se ela estivesse na minha frente e eu fosse um padre. No dia do enterro, de fato apareceu um padre sem que eu pedisse a ninguém senão a Deus. Uma pessoa amiga de minha mãe, numa inspiração momentânea, havia se dirigido às sete da manhã de terça -- o enterro seria às 11h30 -- a uma igreja no Largo do Machado, pessoa esta que sequer é católica, mas que por algum motivo oculto decidiu ser necessário haver um padre no velório de minha mãe. Mas naquele momento o padre não estava na igreja: participava do velório de uma freira, falecida aos 105 anos, em Botafogo. Ainda assim, no exato instante em que saía do cemitério, o sacristão lhe telefonou pedindo para que se dirigisse ao Catumbi, onde uma senhora, minha mãe, seria enterrada, e como de ônibus era um caminho relativamente próximo, ele aquiesceu. Uma vez que eu não esperava por padre nenhum, minha surpresa foi enorme quando o vi. Percebi que minhas preces haviam sido atendidas e me tranqüilizei. E tanto eu queria que orassem pela minha mãe que, devido a uma pequena confusão, ela acabou tendo não uma, mas duas missas de sétimo dia, ainda que uma delas, particular, não tenha sido formalmente de sétimo dia, posto que foi nesta quinta-feira, aos sete de janeiro. Ambas foram realizadas na Igreja de São Judas Tadeu, Cosme Velho, igreja de predileção de minha mãe.

Em cerca de um ano, quatro amigos e eu perdemos nossos pais, sendo que, desses cinco, dois não têm mais nenhum pai, e dentre esses dois, eu. De repente me vi sozinho e cercado de responsabilidades que sequer sonhava ter tão cedo, no pior momento possível: de repente me vi, literalmente do dia para noite, assumindo todas as despesas e demais burocracias relativas à existência neste mundo, sem ter muito bem como lidar com elas. Mas isso não é o pior: perder a pessoas que eu mais amava neste mundo é definitivamente pior. Certamente eu já havia pensado que um dia não teria mais minha mãe aqui -- esse ano mesmo cheguei a sonhar com isso há meses --, porém nunca imaginei que isso fosse acontecer em tão breve tempo. Ademais, se neste mundo tudo é enrolado, sempre há possibilidades em aberta, coisa que não acontece quando se está diante de Deus justiceiro. A hora da verdade nunca é aqui, mas no Dia da Ira, quando até os virtuosos tremerão.

Por que publicar algo desse tipo? Porque me faz bem falar e, agora, escrever a respeito de minha mãe, mesmo que o assunto seja a sua morte. Não sei o motivo de eu me sentir melhor falando, ou escrevendo.

Quando nasceu o Menino Jesus, havia sombras cercando a humilde manjedoura. Mas Ele estava destinado a vencê-las, pois ele havia nascido para ser a luz do mundo e fonte de amor, fé e esperança. Pois bem, minha mãe, Natalina Pereira, rendeu a alma ao Senhor justamente em dias natalinos, como se seu destino tivesse sido marcado pelo nome. Ainda assim, creio que sua morte foi um breve episódio, embora cercado de trevas, preocupações, tal como durante o nascimento do Menino Jesus, porque logo a seguir ela teve, tem e terá, posto que tudo o que sucede depois dessa vida está fora do tempo, o privilégio de contemplar a face de Nosso Senhor em toda a Sua glória, junto dos santos e à multidão de fiéis que já partiram. Se esse período natalino significou a despedida de minha mãe do meio de nós, causa de tristeza, espero que ela tenha recebido, receba e receberá não um presente qualquer, mas o privilégio, por misericórdia divina, de ver Deus face a face, causa de alegria indizível, e que São Miguel a proteja.

Que minha mãe realmente seja amparada pela luz eterna e que eu possa reencontrá-la no Dia da Glória, a fim de que possamos viver eternamente com Jesus Cristo Nosso Senhor.

Para finalizar, digo que três são as coisas que mais me têm consolado: Deus, palavras e companhia de amigos e músicas. Das três, seguem músicas:

Arvo Part, De Profundis:



Eu iria colocar o Kyrie - Orbis factor, aquele que coloquei num post anterior, mas compreendi que seria tolice. Em seu lugar, o Kyrie da Missa em Si, de Bach:



Victoria, Ave Maria:



Palestrina, Gloria da Missa Viri Galilaei:



Palestrina, Sanctus da Missa Viri Galilaei:



Brahms compôs um réquiem em homenagem ao falecimento de sua mãe. É o imponente Réquiem Alemão. Esse é o segundo movimento: Denn alles Fleisch es ist wie Grass. No Youtube está dividido em duas partes:





Brahms, O Tod, wie bitter bist du, que é uma das Quatro Canções Sérias. Essa música não saiu de minha cabeça por alguns dias:



Allegri, Miserere, também dividido no Youtube em duas partes:





Salve Rainha em gregoriano:



Por último, colocarei a litania dos santos, que meu amigo Carlos me apresentou semana passada. No caso, todavia, no lugar do "nobis" sempre imagino "ea", isto é, pela minha mãe. Como não dá para colocar neste blog o vídeo, só me resta indicar o link: este.

E tudo isso não me faz deixar de desejar, ainda que um tanto tardiamente, um Feliz Natal.

6 comments:

Carlos Eduardo said...

Depois desse texto estou certo de que você é Cassiano o sujeito mais forte que já tive a honra de conhecer.

A senhora Natalina Pereira nos legou um verdadeiro spoudaios com fruto de sua passagem por este mundo.

*

Não sendo forte como você, admito: eu chorei.

Luiz de Carvalho said...
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Luiz de Carvalho said...

Que o Senhor se compadeça da alma de vossa mãe, e seja ela recebida nos céus pelos anjos e pela Virgem Santíssima.

Não vos conheço, caro Cassiano, mas me felicita saber que ambos somos irmãos no amor de Cristo.

Cassiano Pereira de Farias said...

Caros, obrigado pelas palavras.

Felipe Ortiz said...

Que Deus tenha piedade de sua mãe e a receba em Seu Reino, dando-lhe o deleite eterno na companhia dos anjos e dos justos.

Um grande abraço nesses tempos difíceis, meu amigo, e muita força para você.

Fábio V. Barreto said...

Apesar do imenso atraso, Cassiano, venho deixar aqui meus pêsames. Sei o que é perder a mãe, e convivi com ela 5 anos a menos do que você.

Espero que Deus a tenha recebido em Sua Casa.

Um abraço fraterno,
Fábio V. Barreto